Tem gente que passa anos adiando o primeiro treino. Compra a roupa, pesquisa preço, chega a parar o carro na frente da academia e volta para casa sem entrar. O motivo raramente aparece na conversa: vergonha do corpo, medo de não saber usar os aparelhos, receio de todo mundo olhar, lembrança de uma aula de educação física que deu errado na escola.
Este texto é para quem nunca fez academia, para quem tentou e se sentiu deslocado, e para quem sabe que precisa se exercitar mas trava só de imaginar a sala cheia. Aqui você vai entender de onde vem esse medo, o que ajuda a dar o primeiro passo e como é começar num lugar pensado para quem chega com essas dúvidas.
O que é o medo de academia
Medo de academia é o receio de entrar num ambiente de treino e se sentir julgado, perdido ou fora do lugar. Ele aparece em gente com todo tipo de corpo e de histórico, e costuma ser mais forte em quem nunca treinou, em quem está acima do peso e em quem convive com alguma dor ou condição de saúde.
É uma reação comum diante de um lugar desconhecido, cheio de regras que ninguém explica. Reconhecer o medo ajuda a escolher um jeito de começar que respeite o seu ritmo, já que esperar ele passar sozinho costuma só adiar o primeiro treino.
De onde vem esse medo
Cada pessoa tem a sua mistura de motivos, mas alguns aparecem com frequência.
Vergonha do corpo
Espelho por todo lado, roupa justa, gente que parece treinar há anos. Para quem já tem uma relação difícil com o próprio corpo, a sala de musculação pode parecer uma vitrine.
Não saber o que fazer
Chegar, olhar para dezenas de aparelhos e não saber por onde começar é uma sensação que paralisa. Muita gente acaba repetindo o que vê os outros fazendo, ou passa a sessão inteira na esteira para não precisar perguntar nada.
Medo de se machucar ou de passar mal
Quem tem dor nas costas, pressão alta ou nunca fez exercício costuma temer que o treino piore alguma coisa. Sem ninguém olhando, esse receio faz a pessoa travar em cada movimento.
Ambiente que intimida
Música alta, sala lotada, fila para usar o aparelho e um professor que precisa dar conta de muita gente ao mesmo tempo. Para quem já chega inseguro, esse cenário confirma a vontade de sair pela porta.
O que ajuda a dar o primeiro passo
O medo diminui quando a situação deixa de ser desconhecida. Algumas atitudes simples fazem diferença antes mesmo do primeiro treino.
Conhecer o lugar antes ajuda bastante. Visitar, ver a sala, perguntar como funcionam as turmas e quem acompanha o treino tira boa parte do imprevisto. Se tiver vontade, leve alguém de confiança na primeira visita.
Ter um plano em mãos também pesa. Saber exatamente quais exercícios você vai fazer, em que ordem e com quanto peso elimina aquela sensação de estar perdido no meio da sala.
Escolher um horário mais tranquilo e um grupo pequeno reduz a sensação de estar sendo observado. E falar abertamente sobre o medo com quem vai acompanhar você permite que o primeiro treino seja ajustado para isso.
Nunca fiz academia: por onde começar
Para quem nunca treinou, o caminho mais seguro tem três etapas, que acontecem nessa ordem.
Passe pelo médico, se for o caso
Se você tem alguma condição de saúde, usa remédio contínuo ou sente dor no peito, falta de ar ou tontura ao fazer esforço, marque uma consulta antes. Saber que está liberado tira um peso grande da cabeça.
Faça uma avaliação
A avaliação mostra o seu ponto de partida em força, mobilidade e condicionamento. Ela serve para montar o seu treino a partir do que você consegue fazer hoje, sem prova nem nota.
Comece leve e com regularidade
Duas ou três sessões por semana, com exercícios simples e cargas leves, já são um bom começo. Como referência para o futuro, a Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos façam de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada e exercícios de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias da semana (diretrizes de 2020). Ninguém precisa chegar lá na primeira semana.
Quem já treinou um dia e está voltando depois de muito tempo encontra um passo a passo mais detalhado no texto sobre como voltar a treinar depois de um tempo parado.
O que esperar do primeiro treino
O primeiro treino costuma ser mais curto e mais leve do que a pessoa imagina. Boa parte do tempo vai para aprender a posição certa em cada exercício, ajustar o banco ou o aparelho ao seu corpo e entender quanto peso usar. Ninguém espera que você saiba os nomes dos exercícios nem que acerte tudo de primeira.
Algumas perguntas que valem fazer logo no começo: quanto tempo dura a sessão, onde deixar as suas coisas, como pedir uma pausa e o que fazer se algum movimento incomodar. Saber essas respostas antes tira da cabeça boa parte da tensão do primeiro dia.
Para a roupa, vale o que deixa você confortável para se mexer: camiseta, bermuda ou calça de malha e um tênis fechado. Leve uma garrafa de água. Se usa remédio contínuo, tenha a lista com você e conte para o profissional na avaliação.
Um corpo dolorido um ou dois dias depois é comum em quem está começando e costuma diminuir nas semanas seguintes. Dor forte, numa articulação ou que piora a cada dia é assunto para conversar com quem acompanha o seu treino antes da próxima sessão.
Quando o medo vem de uma condição de saúde
Às vezes o receio tem um motivo concreto. Quem tem hérnia de disco, pressão alta, dor no joelho ou diabetes costuma ter ouvido conselhos contraditórios e prefere ficar parado a arriscar. Nesse caso, o medo pede informação e acompanhamento, e a primeira conversa é com o médico.
Se esse é o seu caso, a página sobre medo de treinar mostra como as primeiras sessões são conduzidas para quem chega inseguro. E para quem tem hipertensão, o Dr. Ivan Gonçalves explica os cuidados de respiração, carga e aferição no texto sobre musculação com pressão alta.
Como fica na prática aqui no IMOT MovSaúde
O IMOT MovSaúde fica no 2º andar do IMOT, em Mogi das Cruzes, e foi montado para quem quer se exercitar com acompanhamento de perto. O primeiro contato é uma avaliação individual de até 60 minutos, só você e o profissional. Ali você conta o que preocupa, o que já tentou e o que espera, e faz testes simples no seu ritmo.
Da avaliação sai um programa escrito, com os exercícios que você vai fazer e as cargas de partida. As sessões acontecem em turma de no máximo 8 pessoas, com profissional de Educação Física na sala do começo ao fim, explicando e corrigindo cada movimento. Ninguém fica sozinho tentando descobrir como funciona um aparelho. Durante o treino, você usa monitor de frequência cardíaca e, quando o seu quadro pede, a pressão, a saturação e a glicemia são acompanhadas.
Com o tempo, a reavaliação periódica mostra o que mudou e o programa se ajusta conferir: intervalo entre as reavaliações. O caminho completo, da primeira conversa à reavaliação, está na página sobre o método de exercício prescrito e acompanhado.
Converse com a gente pelo WhatsApp
Se o medo de academia segura você em casa, comece por uma conversa. Mande uma mensagem no WhatsApp contando o que preocupa, sem pressa e sem compromisso, e a gente explica como funciona a avaliação e marca um horário vem do cliente: dias e horários disponíveis para avaliação. O que mais deixa você inseguro na hora de começar?